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Cidades Invisíveis de Italo Calvino ganham versão ilustrada
Postado em 21/02/2017

Fonte: Casa Vogue

 
MAURILIA
 
Dizem os livros de história que, após 30 meses de viagem, Marco Polo chegou às portas do Extremo Oriente e conheceu a capital do imenso Império Mongol, regido por Kublai Khan. Lá o viajante ficou por 17 anos exercendo funções diplomáticas entre as quais, ao menos na imaginação do escritor Italo Calvino, está a obrigação de relatar ao imperador as maravilhas de suas extensas terras que ele não podia contemplar.

É no livro Cidades Invisíveis, lançado em 1972,  que o escritor vai além dos fatos ocorridos no século 13 e desenvolve um diálogo fantástico entre "o maior viajante de todos os tempos" e o Grande Khan. Nesta conversa, no melhor estilo "Mil e Uma Noites", Polo descreve minuciosamente cada uma das 55 cidades pelas quais passou. São lugares imaginários, sempre com nome de mulheres, como Pentesiléia, Cecília e Leônia, que vêm carregados de alegorias e reflexões.
 

DESPINA


DIOMIRA


DOROTEA
 
Com base nestas histórias, Karina Puente, que se descreve como uma urbanista durante o dia e uma ilustradora durante a noite, passou a criar desenhos que refletissem as descrições do livro e também revelassem o seu ponto de vista em relação as várias camadas de significados presente nos relatos.
 
ANASTASIA
 
A cidade de Anastasia, por exemplo, é para a artista a cidade do engano. "Calvino diz que em Anastasia você acha que está feliz por viver lá, mas na realidade não está. Por isso, ao ilustrá-la, pensei em uma cidade que no topo é alegre, com pipas e ruas elevadas, mas no subsolo é como uma mina escura, na qual você está preso e é obrigado a trabalhar o dia inteiro", explica Puente.
 

FEDORA


ZAIRA


TAMARA
 
O livro de Calvino é dividido em 11 séries agrupadas por temas como: "as cidades e a memória", "as cidades e o céu", "as cidades e os mortos" e assim por diante. No um ano e meio que Karina está ilustrando, ela já passou por 4 destes capítulos - mas não pretende parar por aí.
 
ZOBEIDA


ISAURA


ISIDORA
 
Os planos da peruana são, claro, completar todas as cidades, mas no seu tempo. "É um projeto pessoal, feito por e para mim. Talvez isso mude a minha vida e me transforme em algo que eu não sabia que poderia ser, mas não é um trabalho ou uma obrigação", explica a autora. A nós, resta esperar pelas cenas dos próximos capítulos - e das próximas cidades.